“CRASHING DOWN”

A relevância dos custos crescentes na área de saúde é um tópico principal no Sistema de Saúde Suplementar no Brasil. Em 2015, as despesas assistenciais consumiram mais de 82% do ticket mensal das Operadoras de Saúde. Considerando que ainda existem as despesas administrativas, observa-se que as empresas que operam neste mercado, em média, trabalham no limiar das perdas.

Uma pequena massa de usuários tem sido responsável por um volume tremendo de recursos para o seu financiamento. É bem conhecido e documentado que as consequências da Transição Demográfica e Epidemiológica tem efeitos adversos significativos sobre o financiamento das Operações em Saúde. Mas, além das consequências sobre o financiamento do Sistema de Saúde, as consequências do envelhecimento e da mudança no padrão das doenças, também provocam consequências físicas e emocionais negativas sobre os doentes e sobre os membros da família e até cuidadores que testemunham gradual declínio dos pacientes.

Apenas para ilustrar, o custo da Demência Vascular, por exemplo, é bem superior que qualquer outra doença, segundo o relatório que resume recente pesquisa financiada pelo Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA), publicado na edição de novembro 2015 dos Annals of Internal Medicine.

O relatório apontou que os doentes portadores de quadros demenciais, consumiram em média mais de 280 mil dólares nos últimos cinco anos de vida. Isto é aproximadamente 57% a mais que os custos associados com a morte de outras doenças, que em média gastaram 183 mil no mesmo período.

 

FATORES QUE ELEVAM O CUSTO DESTES CASOS

Muitos dos custos relacionados com o tratamento destas enfermidades poderiam ser evitados se houvesse um gerenciamento efetivo dos casos no ambiente domiciliar. Por completo despreparo das famílias e do Sistema de Saúde – eu digo das Operadoras e dos Prestadores, a gestão do caso é negligenciada e, por qualquer motivo – seja por ansiedade dos familiares ou quadro infeccioso leve (urinário ou pulmonar) que gera prostração dos pacientes e, estes acabam sendo levados aos serviços de urgência dos hospitais e, invariavelmente, são internados e passam, muitas vezes por procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários.

Como assim?

Por estarem submetidos ao leito por longo períodos é comum que estes pacientes passem por processos de Infecção Urinária ou Respiratória e, geralmente, o primeiro sinal observado pelos familiares é a prostração do paciente. Tal quadro muitas vezes é confundido com rebaixamento do nível de consciência decorrente de lesão cerebrovascular.

Por falta de um gerenciamento no ambiente domiciliar, os pacientes são imediatamente levados aos Hospitais, adentrando ao serviço de emergência, antes mesmo de esperar a coleta e o resultado do exame de urina, muitas vezes o paciente já é submetido ao exame de CT de Crâneo ou mesmo Ressonância. Há justificativa? Claro que sim! Mesmo que muitas vezes questionáveis… Como eu costumo dizer – tudo o que se pede para o doente crônico no hospital, está indicado, mesmo que a indicação seja relativa!

Desta forma, o ciclo se fecha: os familiares sentem-se extremamente confortáveis e exclamam – “tudo o que é necessário, está sendo feito! ” O Hospital tem a justificativa do dever de investigar e, a Operadora, tem o dever de PAGAR pela falta de gestão do caso!

Sem gestão o Sistema não se sustentará!

Outro elemento importante neste caso é o impacto social. As famílias esgotam os seus recursos com os casos, sendo extremamente malconduzidos, até que as Operadoras ofereçam ou sejam forçadas (Judicialização) a oferecer algum tipo de apoio ao caso. Antes que isso aconteça, as famílias, muitas vezes, por décadas, passam por verdadeiro périplo com os doentes sem uma condução ideal – isso faz o custo dos últimos anos subir!

Evitando entrar no mesmo ponto, recomendo a leitura do meu post publicado em janeiro de 2016, READMISSÕES HOSPITALARES DOS DOENTES CRÔNICOS: MUDANÇA DE ROTA, onde trato das ferramentas de gestão dos casos crônicos.

https://www.linkedin.com/pulse/readmiss%C3%B5es-hospitalares-dos-doentes-cr%C3%B4nicos-mudan%C3%A7a-elias-abreu?trk=mp-reader-card

Não resta dúvidas que o suporte, que incluem o reconhecimento precoce e a definição de um Projeto Terapêutico que envolva um plano “social” de cuidados, pode ser a maneira mais eficaz de reduzir os custos. O mais importante,  o objetivo é proporcionar ao paciente um ambiente seguro, coerente e para abordar proativamente quaisquer problemas de saúde concomitantes que poderiam causar uma admissão hospitalar onerosa.