Não restam dúvidas que as novas tecnologias proporcionaram um avanço clínico tremendo nos últimos cinquenta anos. Todavia, mesmo depois de décadas de evolução da medicina baseada em evidências e, consequentemente, do processo de tomada de decisões clínicas baseadas nas evidências, observa-se que ocorre uma enorme variação injustificada, na utilização de serviços de saúde que não podem ser explicadas pela evolução das doenças, tampouco, exclusivamente, pelas preferências dos pacientes.

Uma das possibilidades para injustificada variabilidade e elevação na utilização dos serviços de saúde, pode ser encontrada no uso inadequado dos meios de Diagnose. Ocorre que, conforme constatou o Prof. Kurt Kloetzel, nos seus últimos anos de magistério na Faculdade de Medicinada USP, ele reclamava da falta de interesse dos alunos de medicina, do distanciamento do aluno com os pacientes e dizia: “Eles não têm curiosidade! Não põem a mão nos doentes, mal conversam com eles…”

Tal comportamento, não é exclusivo dos ex-alunos do emérito professor…

Atualmente, o médico tem em suas mãos um arsenal diagnóstico extremamente sofisticado e se a formação não é adequada acontece o que estamos vendo – ineficiência, desperdícios e pior do que isto: tratamentos equivocados, estimulado pelos exames complementares, sem que haja contrapartida de evidências na clínica!

A clínica é soberana! Para tal, o papel da Semiologia Médica deve prevalecer em relação Propedêutica Laboratorial e a Imaginologia, para que estes recursos sejam de fato – exames complementares. A prática da medicina defensiva, com supervalorização dos recursos de Diagnose, tem provocado consequências danosas aos pacientes e para o financiamento dos Sistemas de Saúde.

Uma coisa é certa: todos os Sistemas de Saúde estão sujeitos aos desafios do aumento da utilização demandados por conta do envelhecimento populacional e da mudança no perfil das doenças, que na maioria dos países em desenvolvimento, vai aumentar mais rapidamente do que os recursos disponíveis.

Se por um lado, as novas tecnologias chegam para atenuar parte dos problemas, por outro, como podemos observar, elas podem agravá-los se mal utilizada.