Para que todos os brasileiros possam viver bem, estar bem e se recuperar bem quando acometidos por alguma doença, o Sistema de Saúde precisa estar organizado de forma inteligente e, havendo cooperação mútua entre Estado/Operadoras-Pessoas-Prestadores.

CINCO TEMAS PARA CONSTRUÇÃO DA ESTRATÉGIA

 1. O EMPODERAMENTO DAS PESSOAS

As pessoas precisam obter e entender as informações que são relevantes para gerir a sua saúde, permitindo que os indivíduos possam fazer escolhas certas sobre os cuidados ou apoio que recebem. A compreensão das informações é um ponto crucial para que as pessoas possam ser parceiras do Estado ou das Operadoras de Saúde no que diz respeito a Organização dos serviços a serem prestados para a população.

Para que haja de fato um empoderamento das pessoas, torna-se necessário que o Sistema comunique bem com as pessoas, utilizando-se de todos os meios de comunicação: celulares, internet, televisão e rádio.

O empoderamento das pessoas é importante por que pessoas informadas utilizam o Sistema de Saúde de forma inteligente. Os Sistemas devem gerar as informações que as pessoas necessitam para compreenderem plenamente as questões relacionadas com a sua saúde e bem-estar. Para tal, é importante obterem informações a ponto de serem capazes de gerenciar os seus cuidados de saúde.

Entendendo que no Brasil, existe um percentual elevado de pessoas alfabetizadas, mas não letradas. O Sistema precisa trabalhar / treinar a capacidade de LITERÁCIA EM SAÚDE, ou seja, a capacidade das pessoas obterem e entenderem as informações relevantes sobre os serviços básicos de saúde, a fim de que possam tomar decisões com base nas informações recebidas.

Além da utilização dos meios de comunicação, os prestadores de serviços, em parceria, também podem auxiliar facilitando a compreensão das pessoas. Nesta parceria diferentes tipos de pessoas vão precisar de algum tipo de apoio que dependem de uma série de fatores tais como: idade, etnia, expectativas e crenças pessoais. E somente quem está na ponta do Sistema – na prestação do serviço, poderá identifica-las e dar o melhor direcionamento.

 

2. RECURSOS DE SAÚDE PRÓXIMOS ÀS COMUNIDADES

A boa condição de saúde começa em casa! Os recursos de saúde devem estar disponíveis próximos de onde as pessoas vivem, estudam e trabalham, isto vale especialmente para que o Sistema possa gerenciar as condições de longo prazo.

A integração dos serviços devem ser a mais ampla possível, o sistema deve ser pensado desde a pré-patogênese com ações de promoção de saúde, ações de prevenção e de gerenciamento dos casos crônicos, com base nas necessidades apresentadas nas comunidades.

Por tudo isso faz sentido apoiar as pessoas próximos de suas comunidades!

Precisaremos redesenhar a forma como os serviços são prestados, de forma a movê-los para próximo das comunidades e dos locais de trabalho, para garantir a saúde e a eficiência dos trabalhadores.

Inclui nas estratégias de aproximar as pessoas com os recursos de saúde, as tecnologias de tele saúde, hospitais móveis de campanha, bem como os serviços móveis de diagnóstico, para atender as comunidades mais remotas. Sendo que, a oferta de tais recursos, não devem servir de pretexto para não ofertar as ações básicas de saúde primária na comunidade.

 

3. ENTREGAR VALOR E ALTO DESEMPENHO

É importante a obtenção do melhor valor, de modo que os brasileiros possam receber serviços de alta qualidade acessíveis e sustentáveis.

Precisamos urgentemente acabar com os desperdícios de recursos do Sistema de Saúde, incluindo todo o recurso desviado pela corrupção.

Cortando os desperdícios que ocorrem diretamente na prestação dos serviços, poderemos oferecer melhores e mais amplos serviços, sem a necessidade de ampliar os recursos,  apenas com os recursos disponíveis.

Precisamos construir uma cultura de melhoria do desempenho e da qualidade entre profissionais e os serviços de saúde, através de um modelo de funcionamento integrado com responsabilidades claras.

Para entregar maior valor para a população, precisamos nos concentrar nos resultados que mais importam. A nossa abordagem deve levar em conta toda a gama de influências sobre os resultados de saúde. Incluindo os fatores econômicos, recursos humanos e tecnológicos, a experiência dos usuários do sistema, a qualidade dos serviços ofertados, o comportamento das pessoas, o ambiente físico, bem como os fatores sociais.

 

4. FORMAÇÃO DA EQUIPE

É importante que tenhamos uma equipe cujo o tamanho e habilidades possam corresponder com as necessidades atuais e futuras do Brasil.

Precisaremos trabalhar a fim de que os objetivos comuns possam ser capazes de ultrapassar as barreiras organizacionais, ajudando de forma proativa as pessoas e populações em suas necessidades.

Precisaremos fortalecer o papel cuidador das pessoas, da família e da comunidade, visto que atualmente, valoriza-se a busca da transferência de responsabilidade pelo cuidado – a institucionalização do cuidado nos hospitais e na hospitalização domiciliar, isentando as famílias das responsabilidades pelo cuidado dos seus enfermos.

 

5. SISTEMA INTELIGENTE

O Sistema de Saúde precisa tornar-se um sistema de aprendizagem constante, buscando melhorias e inovações, buscando sempre as melhores formas de fazer.

As informações coletadas podem melhorar a compreensão das relações de causa e efeito entre a saúde e os outros serviços, a eficácia de diferentes formas de trabalhar, bem como avaliar as diferentes intervenções com base nas evidências para o cuidado eficaz.

As novas tecnologias têm o potencial de gerar grandes quantidades de dados que podem nos trazer insights sobre a melhor forma de fazer o Sistema de Saúde para os brasileiros.