O PIB – Produto Interno Bruto é a representação das riquezas de uma nação, é o valor de todos os bens e serviços produzidos por um país em um determinado ano.

As flutuações na taxa de câmbio, bem como o valor da moeda dos países, exercem influências nas variações anuais no valor nominal do PIB. Ao contrário do que se imagina, o custo de vida do pais não influencia no cálculo do valor nominal do PIB.

Contudo, existe uma metodologia chamada PPC – Paridade do Poder de Compra, utilizada para efeito de comparações entre as nações, para ajustar as diferenças no custo de vida nos diferentes países.

A utilização da PPC tem a desvantagem de remover a influência das taxas de câmbio. Portanto, desconsidera a produção econômica no comércio internacional e, por conta disto, dá maior valor para as estimativas do que do próprio valor nominal do PIB. Na PPC os números per capita são menos distribuídos do que os valores per capita do PIB nominal.

Para se ter uma ideia das diferenças metodológicas no cálculo do valor nominal do PIB para a PPC, segundo as listas publicadas pelo FMI – Fundo Monetário Internacional em 2015, o Brasil figurava na 9ª posição quando avaliamos o valor nominal PIB e, apenas, na 76ª posição quando pela a PPC. Ou seja, nem tudo que reluz é ouro! Produzimos muita riqueza, mas nosso povo sofre quando se trata de poder de compra.

Considerando o ranking do valor nominal do PIB 2015, publicado FMI, eu decidi avaliar a progressão dos gastos com saúde das nações que figuraram entre os 10 maiores em 2015, comparando o quanto se gastava em 1995 em relação aos gastos de 2014, considerando os dados do relatório: World Health Statistics 2016: Monitoring health for the SDGs, publicado pela Organização Mundial da Saúde, em 2016.

Ranking PIB nominal FMI WEO 2015, lista com as 10 maiores nações:

Ranking do PIB, considerando o PPC (Paridade do Poder de Compra), segundo o relatório do FMI 2015:

Correlacionando os dados do PIB 2015, com os dados do gasto per capita com saúde divulgado pela OMS:

Apesar do ranking das economias mundiais apresentarem mudanças de um ano para o outro, ao longo do período analisado (1995 -2014), observamos que os EUA se mantiveram na liderança durante todo este tempo. Da mesma forma podemos ressaltar que os gastos com saúde nos EUA é disparadamente o maior entre todas as nações.

No grupo das 10 maiores economias em 2015, as que apresentaram crescimento expressivo do PIB neste período foram China (472%), Brasil (440%) e Índia (273%). Seguidos de: Canadá, Japão, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e EUA. Porém, com crescimento bem inferior aos 3 primeiros.

Em post recente eu escrevi que nenhuma nação é forte o suficiente para suportar o financiamento de todas as demandas de saúde. O Brasil apresentou um crescimento expressivo do PIB neste período analisado. Contudo, as demandas com saúde também aumentaram nas últimas décadas, sobretudo a partir da década de 1990, com o advento do SUS -Sistema Único de Saúde, que passou a garantir acesso Universal e Integral para “toda“ a população, mesmo para os que não pagam impostos – não contribuintes.

Daí vem a importância de analisar a progressão dos gastos com saúde considerando o PPC, que podemos definir, neste caso, como o esforço que a nação / população faz para financiar os serviços de saúde.

Analisando sob a ótica do indicador PPC: Brasil, China e Índia, encontram-se nas 3 últimas posições do ranking das maiores economias.

  • PPC Brasil – 76ª posição;
  • PPC China – 84ª posição;
  • PPC Índia – 122ª posição.

Todavia, estas nações, foram as que experimentaram um maior esforço econômico para financiar as ofertas de serviços de saúde e, por este motivo, foram as nações que apresentaram o maior crescimento dos gastos per capita em saúde no período da análise.

Com relação ao incremento percentual dos gastos com saúde de 1995 para 2014, temos a seguinte situação:

1º – China com 1897%;

2º – Índia com 374%;

3º – Brasil com 201%;

4º – Canadá com 189%;

5º – Reino Unido com 188%;

6º – EUA cm 148%;

7º – Itália com 123%;

8º – França com 81%;

9º- Alemanha com 73%;

10º – Japão com 30%.

Japão, China e Brasil, entre as 10 nações analisadas, foram as únicas que apresentaram um crescimento dos gastos com saúde, em relação ao PIB, diferente da tendência mundial nos últimos anos.

Apesar do Japão ter conseguido controlar os gastos com saúde durante muito tempo, podemos observar que nos últimos anos os gastos com saúde estão fugindo do controle dos japoneses.

O outro caso emblemático é o dos EUA, até 2014 os gastos com saúde vinham mantendo-se abaixo dos U$ 10 mil, per capita. Contudo, neste ano, pela primeira vez, o gasto per capita ultrapassará a casa dos U$ 10 mil e o Governo Americano tem projetado 20% do PIB para o financiamento da saúde. Disparadamente a nação que mais gasta com saúde no planeta!

CONCLUSÕES:

Após as crises econômicas experimentadas no final da década passada observou-se que na grande maioria das nações, ocorreu uma inflexão na curva de tendência dos gastos com saúde, exceto Japão, China e Brasil;

No caso do Brasil, a inflexão aparece apenas após 2013;

Nos EUA, os efeitos da crise foram percebidos no Sistema de Saúde até 2014. Já em 2015 e 2016 a tendência é que a curva apresente uma nova acentuação na progressão dos gastos com saúde;

Das nações que apresentam acesso universal ao Sistema de Saúde, o Brasil é a que apresenta o menor gasto per capita;

Índia e China apresentam o menor gasto per capita com saúde, muito em função das dificuldades de acesso ao Sistema de Saúde, ainda assim estas nações estão apresentando uma tendência inexorável de elevação dos gastos com saúde.