Os novos medicamentos serão responsáveis pela maior elevação dos custos em saúde e, consequentemente pela crise de sustentabilidade dos Sistemas de Saúde.

Um bom parâmetro para medir o impacto das drogas no orçamento da saúde, basta comparar o crescimento dos preços dos medicamentos, comparado com a inflação de um pais com uma economia relativamente estável, como a dos EUA. Quando se fala de inflação nos Estados Unidos, basicamente refere-se à inflação baseada no índice de preços ao consumidor. O IPC nos EUA reflete a evolução dos preços de um pacote de produtos e serviços padrão que as famílias na Estados Unidos adquirem para consumo. Para determinar a inflação, compara-se percentualmente o nível IPC de um determinado período em relação ao nível do período anterior. Em 2015, a inflação acumulada foi de 0,73%.

Para se ter a dimensão da criticidade do problema, nos EUA, a despesa global com medicamentos aumentou 12,2% em 2015, contra uma inflação anual média de 0,73%, esta é a maior elevação da última década. O aumento tem sido impulsionado pelo lançamento de novas marcas, bem como pelo expressivo aumento dos medicamentos genéricos.

Segundo a consultoria americana Connecture, cerca de 3.500 medicamentos genéricos mais que dobraram de preço no período de 2008 a 2015, sendo que foi encontrado aumentos que variaram entre 400 a 1000%.

E as perspectivas futuras não são as melhores, tendo em vista que, historicamente, o FDA aprovava em média, o registro de 25 novas drogas por mês, sendo que nos últimos 3 anos a média mensal de novos registros subiu para 70. Isto ocorre porque o FDA começou a priorizar a velocidade de acesso ao mercado de novos medicamentos.

Por traz da decisão do FDA de acelerar os novos registros, tem uma boa causa: a priorização se dá particularmente em categorias terapêuticas onde há pouca concorrência criando picos de preços.

Até então existia um certo represamento de registro de novas drogas, pois o prazo era de cerca de 42 meses e, o FDA está fazendo progressos significativos na redução deste prazo, sobretudo, para trazer ao mercado medicamentos genéricos, numa clara tentativa de controlar os preços das drogas de marca.

Contudo, na esteira da aceleração para novos registros que garantem o lançamento de drogas genéricas, ocorrem também o registro das drogas inovadoras de elevadíssimo custo.

Historicamente, existe um descompasso entre o crescimento das receitas, para o financiamento da saúde, com o crescimento dos gastos com saúde. Nos EUA, a inflação da saúde chega a ser o dobro da inflação geral.

Permanecendo esta tendência, fica evidente que muito em breve não haverá recursos para o financiamento da saúde, nos EUA, bem como nos outros países, sobretudo os mais pobres.