Como você planeja gastar o dinheiro de sua aposentadoria? Com viagens ou com remédios? E as Operadoras de Saúde, como estão se planejando?

Parece cruel iniciar o post com este tipo de problema, mas todos nós, sem exceção, devemos nos preocupar com a saúde no futuro. E, caso não pretenda gastar com remédios, seria conveniente mudar o estilo de vida desde já.

Em franco processo de Transição Demográfica, no Brasil de hoje, encontramos pessoas idosas em praticamente todos os núcleos familiares. Se você está envelhecendo e suas necessidades estão aumentando ou você está cuidando de uma pessoa mais velha, comece a planejar para necessidades de cuidados futuros.

As necessidades variam de acordo com os estilos de vida, estado de saúde e situação financeira de cada indivíduo e da família, bem como as estruturas de apoio familiar ou não.

Pensar e discutir sobre estes aspectos enquanto se está lúcido é uma excelente prática! Muitas pessoas pensam em viver de forma independente o maior tempo possível. Contudo, algumas pessoas precisarão de cuidados assistidos para apoiá-los nas tarefas do dia-dia. Seja qual for a situação, as necessidades podem mudar à medida que envelhecemos. Por este motivo, discutir o tipo de cuidado que se deseja, ajudará os familiares ou a rede de apoio a fazer a transição de forma tão suave quanto possível.

No início do post eu citei apenas o gasto com remédios, mas em muitos casos, os gastos, não se restringem apenas aos medicamentos.

Atualmente, quem possui um seguro saúde, sente-se relativamente confortável quanto às necessidades futuras de cuidados em saúde. Mas, ainda assim, é recomendável que verifique junto à Operadora de saúde quais serviços são cobertos pelo Plano de Saúde, para evitar surpresas e a desassistência da pessoa idosa.

É importante salientar que o Plano de Saúde é um seguro com um “rol” de coberturas publicados pela Agencia Nacional de Saúde Suplementar e, na maioria das Operadoras, não há previsão de cobertura para o risco social. Imaginar que o Plano de Saúde é obrigado responder plenamente por todas as necessidades do paciente e, ainda, substituir a responsabilidade provedora da família é um tremendo equívoco!

Interessante que muitas famílias recorrem ao Judiciário para buscar um “direito” indevido, visto que a cobertura do risco social não está contemplada no processo de precificação do produto, tampouco é cobertura obrigatória dos Planos de Saúde. A prática de se conseguir coberturas não previstas, endossada pelo Judiciário, tem provocado um desequilíbrio econômico-financeiro nas Operadoras de Saúde e vem ameaçando seriamente a sustentabilidade dos Planos de Saúde e, consequentemente, os cuidados de todos os segurados.

Até aqui eu abordei o lado do segurado. Mas, o mesmo raciocínio vale para as Operadoras de Saúde. Quem melhor planejar o seu modelo assistencial para o futuro, estará concorrendo ao êxito da sua SUSTENTABILIDADE.

Qual o perfil demográfico da sua carteira? É conveniente que comece a planejar o seu Modelo Assistencial a fim de que se possa tornar previsível o gasto com os idosos no futuro.